Mário Alves poderá estar a preparar regresso à política ativa

Ex presidente da Câmara do PSD marcou presença na última reunião da assembleia municipal e há quem o aponte já como candidato às próximas autárquicas.

O antigo presidente da Câmara do PSD, Mário Alves, poderá estar a preparar o seu regresso à política ativa, depois de em 2009 ter perdido a presidência do Município para José Carlos Alexandrino, na sequência de um conturbado processo de divisão interna dentro da Concelhia laranja.

Apesar da derrota e de um PSD desfeito em “cacos” no pós 2009 – uma vez que o partido esteve dividido no apoio à sua recandidatura, acabando por apoiar uma lista de independentes, liderada pelo ex presidente da Concelhia, José Carlos Mendes, Alves assumiu o mandato como vereador na oposição até 2013, cingindo, todavia, a sua atividade política às intervenções nas reuniões do executivo camarário.

O atual momento político que se vive no concelho, com seu ex rival, António Lopes, a transformar-se no principal adversário do partido que o elegeu – o PS e a apostar, tal como fizeram os independentes em relação ao PSD, no desgaste da atual equipa camarária, poderão ditar o regresso do ex autarca à luta politica, havendo mesmo quem diga que o antigo presidente da Câmara oliveirense encetou já alguns contactos no sentido de perceber se estão reunidas as condições e se este é o momento para começar a preparar uma eventual recandidatura à presidência da autarquia.

Apesar de contestado nos últimos anos de governação, para o que contribuiu a oposição “interna” dentro do seu próprio partido e a chegada à politica local do ex presidente da assembleia municipal, António Lopes, que foi um dos seus principais “inimigos”, criticando sobretudo o estilo antidemocrático do antigo autarca, o mesmo que aponta agora também ao PS e a Alexandrino, Mário Alves poderá reunir ainda algum capital politico, nomeadamente junto de um setor do PSD que não se identifica com as sucessivas lideranças do partido a nível local, e nem tão pouco com as escolhas dos candidatos que integraram as listas na última corrida autárquica.

Afastado do último processo autárquico, Mário Alves poderá ter “aproveitado” para provar que não era o único problema do PSD local, pois mesmo tendo estado fora de jogo, e apostando em caras completamente novas, o partido nunca registou um desaire eleitoral tão grande no concelho. E se é certo que o antigo autarca oliveirense tem agora um aliado de peso na Distrital do PSD – o novo presidente, Maurício Marques, que várias vezes foi ouvido a elogiar o seu trabalho à frente do Município, o regresso de Alves à ribalta dificilmente seria acatado pela Concelhia que continua a ser “controlada” pela fação do partido que se opôs à sua recandidatura já em 2009, nomeadamente o seu antigo chefe de gabinete, António Duarte, mas também Nuno Pereira, filho do conhecido empresário Fernando Tavares Pereira, que além de ser um dos apoiantes de primeira linha do atual presidente da Câmara, é também um critico assumido do ex presidente da Câmara e da forma como este governou o concelho na última década. Nesta altura, Mário Alves poderá ver, todavia, no clima de instabilidade que Lopes está a tentar criar no seio do atual executivo, atacando a liderança de Alexandrino tal como fez no passado em relação ao seu executivo, uma oportunidade de “voltar a reinar”, tendo vindo mesmo a auscultar, nos últimos meses, algumas figuras “influentes” do meio politico e social sobre este assunto.

Coincidência ou não, o que é facto é que na última reunião da assembleia municipal, esta sexta feira, Mário Alves fez questão de marcar presença no lugar do público, o que nem sempre aconteceu enquanto eleito na oposição, e até ouviu palavras de apoio do seu “inimigo de estimação”, António Lopes, que em mais um ataque ao atual presidente, disse àquele tanto criticou, podia voltar que estava “perdoado”.

Recusando-se a traçar cenários a esta distância das eleições, Mário Alves afirmou ao Folha do Centro que a possibilidade de uma recandidatura não consta dos seus “horizontes do momento”, embora não diga que “desta água não beberei”.

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