A ANCOSE – Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela vai, esta terça-feira, (dia 20), a votos.
Frente a frente vão estar dois candidatos: de um lado, o atual presidente da direção, Manuel Marques, que se encontra na liderança da ANCOSE há exatamente duas décadas e, do outro, um jovem produtor de Canas de Senhorim (Nelas), João Pires.
Ambos participaram, na passada sexta-feira, num debate promovido pela Rádio Boa Nova, onde falaram dos desafios e das propostas que cada um tem para o futuro da associação, com sede em Oliveira do Hospital, contando com associados de 19 municípios que integram a região demarcada da Serra da Estrela.
A sublinhar que não iria estar no debate para falar do passado, mas sim do futuro, Manuel Marques não deixou de referir a situação de completa falência em que encontrou a ANCOSE, quando ganhou as primeiras eleições para a direção da associação, há 20 anos, com mais de 70 mil euros de salários em atraso, dívidas a fornecedores e ausência de apoios aos associados, situação que, garantiu, estar ultrapassada. “A Ancose hoje não tem dívidas”, assegurou, lembrando, todavia, a travessia difícil que teve de fazer até chegar aqui “porque há 20 anos, as dívidas eram tantas, que ninguém queria pegar nisto”.
Adiantou que nos 20 anos que esteve à frente da Associação saldou um passivo que ultrapassa os 1,5 milhões de euros, e por isso, a última coisa que quer ver é ter novamente a liderar a Ancose pessoas que a ajudaram a arruinar, afirmou, numa alusão a alguns elementos que compõem a lista adversária.
“É só por isso que me candidato, será a última vez que o faço, porque também quero sair e não pretendo sair com uma bandeira da Ancose em cima do meu caixão”, referiu, a justificar, a razão fundamental de se recandidatar, ao fim destes anos todos, a um novo mandato.
Do lado do adversário, o jovem produtor João Pires que se diz acompanhar de uma lista mais jovens e com novas ideias para o futuro da associação, garante que avança para esta candidatura por considerar, essencialmente, que a associação “está estagnada”, sem “dinamismo” e ainda sem grande ligação aos pastores.
“Candidatamo-nos porque queremos que a associação seja um farol do setor, com novas ideias, com novos projetos, porque acreditamos que tem de sair da zona de conforto”. afirmou, numa crítica à atual gestão.
Manuel Marques garante que a lista B, liderada por João Pires, é uma lista de “ódio” e de regresso ao “passado”, acusando o adversário de ter um “contrato” com o grupo “Valor do Tempo”, dono entre outros investimentos, do Museu do Pão em Seia, que iria tomar conta da associação.
Pires refutou as acusações de Manuel Marques, deixando a garantia de que nem ele, nem a sua empresa unipessoal tem qualquer negócio com o grupo “Valor do Tempo” para tomar conta futuramente da Ancose. Sublinhou, mais uma vez, o facto de a sua lista ser composta maioritariamente por jovens e todos ligados à pastorícia como actividade principal.
Quanto a desafios futuros, Manuel Marques reafirma que o maior de todos é conseguir um reforço dos apoios do Estado à produção de leite proveniente de ovinos de raça bordaleira, caso contrário “qualquer dia não temos leite para o queijo Serra da Estrela”, observou.
Já João Pires considera que o maior desafio passa pela valorização de toda a fileira da ovelha Serra da Estrela, do leite, à carne, passando pela lã, fazendo com que os pastores ganhem dinheiro com o seu trabalho, tornando-os menos dependentes das ajudas do Estado.
