Junta de Meruge e populares reclamam mais investimento na Freguesia

Não aceitam que o Orçamento do Município para 2025, no valor de 43 milhões de euros, não contemple nenhuma obra de vulto

O Executivo da Junta de Freguesia de Meruge, acompanhado de mais de uma dezena de populares e representantes das coletividades locais, marcaram presença na última quinta feira, na reunião pública do executivo camarário, para reclamar a resolução de vários problemas e a concretização de obras que consideram “fundamentais para a elevação da qualidade de vida da população”, mas que “têm vindo a ser sucessivamente adiadas”.

Numa intervenção no período reservado ao público, o Presidente da Junta, João Abreu, começou por dizer que “não aceita, nem compreende”, que um orçamento municipal de 43 milhões de euros, para 2025, “não contemple uma única obra destinada à Freguesia de Meruge”. Aliás, enfatizou, “este é o cenário verificado em todos os orçamentos deste mandato. Em três anos, a Câmara não realizou qualquer obra na Freguesia de Meruge”.

Abreu entende que é necessária “uma repartição justa e equitativa dos fundos municipais por todas freguesias e não apenas por algumas” e questionou mesmo o Presidente da Câmara, quando afirmou no lançamento de obras em duas freguesias que estas “são obras que distinguem a nossa atuação autárquica pelas práticas da coesão territorial e de descentralização”, se estaria “a referir-se a outro Concelho, ou, então, a considerar, que o Concelho se resume à meia dúzia de freguesias que levam a fatia total do “bolo” municipal”.

Entre os muitos projetos e obras elencadas pelo autarca como fundamentais para o desenvolvimento da freguesia, e que são da “competência exclusiva” da Câmara Municipal estão os alcatroamentos das Variante Sol Nascente e Variante à Igreja, em Nogueirinha, a regeneração do Parque de S. Bartolomeu, lugar com significativo interesse arqueológico e paisagístico, dizimado pelo incêndio de 2017 e que “continua esquecido”, a criação do Parque Biológico das Entre-as-Águas, que tem projeto elaborado, mas que não pode ser candidatado pela Junta ao Fundo Ambiental ou outro, e ainda falta de rede de saneamento em algumas das zonas mais “povoadas” da freguesia, como a Rigueira, Costeira, Bóco, Rua do Pombal, Rua da Cabine, Bairro da Tapada, e a entrada norte de Nogueirinha.

A falta de pressão da água da rede pública, sobretudo nas zonas mais altas da Freguesia, que motivou mesmo a entrega de um abaixo assinado, em mão, ao Presidente da Câmara, por uma das moradoras afetadas, Rosário Godinho, foi ainda um dos assuntos levados à reunião, assim como a necessidade da colocação de lombas, na estrada, à escola, em Nogueirinha, reclamada por Alexandrino Miranda.

Do caderno reivindicativo fez parte também o tema da habitação, com o Presidente da Junta a mostrar o seu descontentamento pelo facto da Freguesia ter sido sempre excluída dos investimentos municipais, apesar de ter “contribuído com a disponibilização de imóveis próprios para as sucessivas candidaturas”. Referiu que a Estratégia Local de Habitação é fundamental para recuperar o edificado degradado e disponibilizar habitação condigna aos jovens casais, elemento essencial para se combater a desertificação humana das nossas aldeias.

A propósito, aproveitou para se congratular com o facto de terem nascido, em 2024, cinco crianças na Freguesia, prova de que a estratégia de manter e criar serviços públicos (Jardim de Infância, Balcão do Cidadão, Centro de Dia, ATL, Posto de Correios, etc.) “são o caminho para voltar a ter aldeias povoadas”.

Rolo garante não haver “tratamento de prejuízo” relativamente a Meruge

Em resposta ao “pacote” apresentado por Meruge, o presidente do Município, José Francisco Rolo, questionou a opção do autarca de Meruge de ter optado por trazer estes assuntos para uma reunião pública, “quando o podia ter feito como já fez muitas vezes e sem marcação numa reunião com o presidente da Câmara”, notando que as questões aqui colocadas só por si absorviam a totalidade do investimento destinado às freguesias do concelho.

A este de propósito, e antecipando até a ordem de trabalhos da reunião, o autarca deu conta da atribuição da primeira tranche, no valor de 160 mil euros, para apoios diretos às 16 freguesias do concelho (10 mil euros para a cada uma), daquilo que é o “pacto” de investimento aprovado para as freguesias, no montante de um milhão e quarenta mil euros. .

A responder às questões uma a uma, o edil prometeu inteirar-se das situações e ver o que pode fazer, nomeadamente na obra da variante sol nascente cujo projeto estará já em fase adiantada, mostrando-se ainda disponível a apoiar técnica e financeiramente as candidaturas aos diferentes programas comunitários para a freguesia, garantindo que a “Câmara Municipal tem sempre o radar ligado para encontrar encontrar fontes de financiamento”.  Portanto, “aqui não há tratamento de preferência, nem de prejuízo”, sublinhou ainda em resposta aos argumentos apresentados por João Abreu.

Já na questão da falta de pressão da água da rede pública, nalguns locais da freguesia, Rolo deixou a garantia aos moradores mais afetados por esta situação de reforçar, junto das Águas e Lisboa e Vale do Tejo que é quem tem a concessão do abastecimento em “alta”, a necessidade de uma intervenção urgente na rede, tendo explicado, no entanto, que as questões do saneamento levantadas pelo autarca de Meruge, são da responsabilidade das Águas Públicas da Serra da Estrela.

No campo da habitação, deixou ainda a promessa de estar a acompanhar a revisão da Estratégia Local da Habitação no sentido de incorporar novas propostas, e assim poder integrar os imóveis que cumpram os requisitos em Meruge.

“Estamos aqui para criar soluções e não para conflituar, com marcação ou sem marcação a porta do gabinete do presidente da Câmara está sempre aberta”, assegurou aos autarcas e populares da freguesia de Meruge presentes na reunião.

 

 

 

Exit mobile version