José Francisco Rolo, presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, apelou publicamente ao Governo para que seja declarado o estado de calamidade no concelho, na sequência da sucessão de tempestades que provocaram mais de 330 ocorrências e danos significativos em infraestruturas públicas e privadas.
“O grau de devastação é público, reconhecido e notório”, afirmou o autarca, sublinhando que o Município enfrenta “a dimensão dos estragos, dos danos e dos prejuízos” que colocam “em causa a segurança e o bem-estar dos cidadãos”.
O pedido foi feito durante as comemorações do Dia da Freguesia de Seixo da Beira, onde Rolo insistiu que esta declaração não representa um privilégio, mas sim um reconhecimento institucional da situação vivida no território.
“Não é um favor que nos fazem, é só a demonstração de reconhecimento e solidariedade”, afirmou, reforçando que o concelho não pretende comparações com regiões mais devastadas, mas pede apoio proporcional aos prejuízos sofridos.
“O que é que falta acontecer nas freguesias do concelho de Oliveira do Hospital para que o estatuto de calamidade seja atribuído? Será que é preciso falecer alguém? Será que é preciso algum edifício brutalmente desabar?”, questionou.
“Queremos apenas que, à dimensão dos nossos danos, também nos ajudem a recuperar”, afirmou, considerando que o apoio estatal será determinante para uma recuperação mais rápida. “Caso contrário, será com o esforço das freguesias e, particularmente, do Município, que o teremos que fazer, de uma forma mais lenta e mais gradual”, disse.
O autarca deixou ainda uma palavra de reconhecimento às entidades que prestaram auxílio às populações, nomeadamente juntas de freguesia, bombeiros, GNR, proteção civil e trabalhadores municipais. “Quero deixar aqui uma palavra pública de agradecimento por estarem sempre na linha da frente na identificação dos prejuízos e na proteção à população”, disse.
Mais de 330 ocorrências e prejuízos em todo o concelho
Segundo o presidente, a sucessão de tempestades nas últimas semanas provocou prejuízos em várias infraestruturas como espaços escolares, desportivos, empresas, estradas, muros e edifícios.
“São mais de 330 ocorrências que aconteceram no concelho de Oliveira do Hospital”, deu conta, alertando que que os impactos vão além da destruição material, afetando também o estado emocional da população. “Tem afetado o bem-estar das pessoas e tem afetado o estado anímico das pessoas”, disse, recordando que o concelho ainda recuperava dos incêndios do verão passado quando foi atingido por esta nova crise.
Município reforça apoio às freguesias com mais de um milhão de euros
No mesmo contexto, José Francisco Rolo destacou o papel das juntas de freguesia na resposta imediata e anunciou um reforço financeiro significativo. Segundo o autarca, “o Município tem no seu plano e orçamento mais de um milhão e cem mil euros para atribuir às juntas de freguesia”.
A primeira tranche, no valor de 170 mil euros, será atribuída de forma transversal, com “10 mil euros para todas as freguesias”, e deverá ser aprovada na próxima Assembleia Municipal.
A prioridade, segundo explicou, será direcionada para “a prevenção e a gestão dos riscos associados àquilo que nós temos vivido nos últimos dias”.
