O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) garante que vai investigar eventuais plantações ilegais de eucalipto que estão a acontecer no concelho de Oliveira do Hospital e que têm sido, inclusivamente, denunciadas pelos autarcas das freguesias.
A garantia foi avançada pelos diretores do ICNF numa reunião realizada recentemente em Lisboa a pedido do executivo camarário oliveirense que se vem mostrando preocupado com a forma descontrolada como esta espécie está a crescer neste território.
Na última reunião pública de Câmara, o vice-presidente da autarquia, José Francisco Rolo, deu nota das conclusões deste encontro, durante o qual os responsáveis do ICNF terão manifestado alguma “perplexidade” e “estranheza” pelo que se está a passar, prometendo iniciar um conjunto de “diligências internas” com vista a averiguar estes processos, bem como reforçar a fiscalização no terreno e avançar com a aplicação de coimas sempre que se verificar plantações ilegais. José Francisco Rolo garante que esta denúncia por parte do Município não se trata de nenhuma atitude “hostil” para com pequenos proprietários, mas antes contra os interesses de grandes grupos económicos, que estão a pouco e pouco a querer substituir a floresta predominantemente de pinheiro bravo existente no concelho, por floresta de eucalipto, passando, inclusivamente, por cima da Câmara Municipal e das entidades gestoras de ZIF, que têm planos de gestão florestal em grande parte dessas áreas agora invadidas por eucaliptais.
Também o presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino disse esperar pelo apuramento de responsabilidades por parte do ICNF, uma vez que desde abril de 2014 que não chega à Câmara Municipal qualquer pedido de parecer para novas plantações, quando estas aparecem executadas no terreno.
Uma realidade que preocupa não só autarcas, como levou já um grupo de cidadãos do concelho de Tábua a promover um abaixo assinado com o objetivo de chamar a atenção das autoridades competentes para aquilo que designam de crescimento “explosivo” desta espécie nestes territórios, implorando a uma reflexão séria sobre esta matéria, que a “quebrar todas as regras” só com o único objetivo de “enriquecer alguns rapidamente”.
Este abaixo assinado que já conta com mais de 600 assinaturas, foi também subscrito pela CAULE – Associação Florestal da Beira Serra, que apesar de intervir em grande parte do território florestal da região, através das ZIF, vem reconhecer algumas “incongruências” entre os Planos de Gestão das ZIF e as plantações que se verificam no terreno.
