Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos preocupado com falta de recursos humanos no Centro de Saúde de Oliveira do Hospital.
O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos comparou o Centro de Saúde de Oliveira do Hospital a uma “caixa vazia”, onde se “oferecem” instalações à população, mas lá dentro não tem recursos humanos médicos.
Carlos Cortes falava no final de uma deslocação a esta unidade de saúde, que apresenta cada vez mais dificuldades em se manter em funcionamento 24 sobre 24 horas, devido à escassez de clínicos ao serviço. “Há aqui uma falta gritante de recursos humanos, sabendo nós que além do serviço de consultas este Centro de Saúde tem também um SAP”, constatou aquele responsável, lembrando que esta unidade de saúde está a funcionar com metade do número de médicos que seria necessário. “Este Centro tem 8 médicos, faltam pelo menos mais 8 para assegurar o trabalho do atendimento de rotina e das urgências e isso não está a acontecer”, garante o presidente da Ordem dos Médicos na Região Centro, não tendo dúvidas que esta é uma das unidades da região onde o problema da falta de clínicos é mais preocupante.
Além da situação que se vive atualmente, com mais de oito mil utentes sem médico de família e várias extensões de saúde encerradas, Carlos Cortes e mostra-se preocupado com o clima de incerteza que se pode colocar já a partir de janeiro, se a empresa que vem colocando médicos em Oliveira do Hospital não “conseguir colocar cá” mais recursos humanos. “Isso seria uma calamidade para esta zona” considera, prometendo levar o “desespero” dos profissionais deste Centro de Saúde à ARSCentro, pedindo-lhe para “dar maior atenção” a esta unidade que atravessa grandes dificuldades na resposta às populações. “Dos 8 médicos que estão ao serviço, 2 estão de baixa e só 4 é que asseguram a urgência e portanto era importante haver aqui um reforço” entende o dirigente, fazendo notar que há um ano atrás, em pleno pico da gripe, o Centro de Saúde oliveirense registou uma afluência média de 90 utentes por dia. “Isto é muito e não há dúvida nenhuma que há aqui um problema gritante que tem de ser resolvido”.
“Não basta só termos paredes, termos conselhos para as pessoas se dirigirem aos Centros de Saúde, quando estes depois não têm recursos humanos para podermos atender esses doentes e não têm a melhor resposta” advertiu, dando conta de outras queixas dos profissionais de saúde locais, relativamente à falta de materiais e da própria medicação. “Os médicos têm muitas vezes de apertar o cinto porque não podem dar os medicamentos que desejam e que os doentes merecem” denunciou no final de um encontro com responsáveis do Centro de Saúde local, onde manifestou a sua preocupação com a falta de condições que se vive nestes cuidados básicos de saúde.
