A Unidade de Cuidados à Comunidade Pinheiro dos Abraços comemorou nove anos de existência com a organização da conferência “Cuidados de proximidade …Crescer e Adolescer” que decorreu no Convento do Desagravo, em Vila Pouca da Beira.
A coordenar esta UCC desde que foi criada, a enfermeira Alexandra Garcia faz um balanço positivo do trabalho desenvolvido em prol das populações mais vulneráveis do concelho, e aponta a saúde mental como o foco da sua intervenção, ultimamente, junto do público escolar.
Com uma parte da sua ação virada para as escolas, do pré escolar ao secundário, onde ao longo do ano, a equipa é responsável por diversas ações de sensibilização, a enfermeira não esconde que é a problemática da saúde mental que mais a preocupa e se tem manifestado no contexto de escola.
“Antes da pandemia já se notava, nós implementámos um projeto que agora já é de âmbito nacional, que era de prevenção dos comportamentos suicidários e auto lesivos e já notávamos que havia ali questões que não eram faladas porque havia ainda muito o estigma «eu não vou pedir ajuda porque é um ato de cobardia» ou «eu não vou ao psicólogo porque não sou maluco, não tenho problema nenhum ” e a pandemia veio agudizar muitas situações que já não estavam bem”, garante a enfermeira, que vê com satisfação o facto da saúde mental ter sido colocada na agenda escolar, sendo inclusivamente o tema deste ano do “Parlamento Jovem”.
“Isto trouxe às escolas e aos alunos o à vontade de falar destas questões e a perceção de que podem pedir ajuda que não é problema nenhum”, garante a coordenadora da UCC Pinheiro dos Abraços, para quem há ainda “muito trabalho a fazer nesta área da literacia em saúde mental”. “Este ano decidimos trazer aqui este tema, porque entendemos que esta é uma área de intervenção prioritária e que as escolas identificam também cada vez mais como sendo um problema”, entende Alexandra Garcia, revelando que entre as problemáticas mais comuns entre os jovens está a ansiedade, mas também a depressão, as perturbações de comportamento alimentar e comportamentos auto lesivos.
“Este ano nós aplicámos até ao momento 120 questionários anónimos nas escolas, onde cerca de 38% dos alunos revelava que sofria ou já ter sofrido de ansiedade, o que é uma percentagem significativa”, entende a profissional de saúde que aproveitou o aniversário da UCC que lidera para colocar o tema em cima da mesa e convidar especialistas a debater e a partilhar boas práticas que possam ser também implementadas no concelho.
Um debate que contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, que enalteceu e agradeceu o trabalho desenvolvido pela UCC Pinheiro dos Abraços ao longo destes nove anos de funcionamento, “ao nível da educação para a saúde no espaço escolar e na promoção de estilos de vida saudável junto das várias comunidades”.
O autarca destacou ainda “a virtude do trabalho em rede da UCC, a sua ligação aos vários parceiros” destacando “os trabalhos realizados pela equipa junto de doentes, concretamente nos últimos anos, em que vivemos envolvidos nos desafios relacionados com a pandemia da COVID-19, e que foram de grande pressão e risco para as áreas da saúde e do setor social”.

