José Francisco Rolo tinha avisado. O incêndio que lavrava desde quarta feira (dia 13) vindo do Piodão pedia mais meios no terreno. Ao clamor do autarca de Oliveira do Hospital foram-se juntando, entretanto, o dos autarcas de freguesia e das populações, que à medida que o fogo avançava, sentiam -se cada vez mais sozinhas, temendo uma réplica do grande incêndio de 2017.
“O meu clamor foi para que o incêndio não passasse a EN230, a minha insistência para o posicionamento de meios, porque eu estive em Alvoco e estivemos praticamente sós a combater as chamas”, recorda o presidente da Câmara, que a certa altura, entrou em desespero quando viu a aldeia do Parente “sem um único bombeiro”.
“A única pessoa que lá estava eram dois cidadãos e estive lá eu e um funcionário da Câmara Municipal. Eu olhei para a aldeia e vi que a aldeia ia arder toda, e tínhamos estado toda a tarde a pedir meios aéreos e houve tempo, os meios podiam ter vindo mais cedo”, conta o edil, que apesar dos avisos, das indicações e dos pedidos insistentes de posicionamento de meios no terreno, só foi atendido quando falou “alto”.
“Chateámo-nos, falámos duro e acho que se devia ter incorporado a leitura de quem conhece o terreno e o comportamento do fogo, mas as coisas não correram bem”, refere, lamentando que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, cujo comando operacional até estava instalado em Oliveira do Hospital, só tenha reagido quando subiu o tom de voz.
“Eu vi pessoas em Alvoco fechadas em casa, crianças atrás de janelas a chorar, com os olhos e os rostos em pânico, eu vi as pessoas desesperadas a lutar para suster o fogo” descreve o autarca, que tocado por um autêntico cenário de “guerra” em defesa do seu concelho, admite ter dito coisas que “não são agradáveis de ouvir em público”.
“Foi preciso gritar alto para aparecerem meios aéreos. Parece que foi preciso gritar alto para que no Parente, onde não havia meios nenhuns, para de repente aparecerem todos os meios”, recorda, confessando, porém, que “há coisas que eu ainda não percebo como é que ocorrem em termos de ativação e posicionamento de meios aéreos e ataque de meios aéreos a algumas áreas que estavam a arder , não percebo e pedi contas disso ao comando operacional nacional”, garante.
Confirmado o pior cenário que foi o incêndio galgar a Nacional 230 e passar para o Vale do Alva, José Francisco Rolo dá nota da revisão de algumas estratégias, já na sexta feira (dia 15) que, apesar de tudo, conseguiram evitar “uma catástrofe próxima daquilo que foram os incêndios de 2017”.













