Aldeia das Dez foi capital da castanha

Santuário de Vale de Maceira recebeu milhares de visitantes na 13.ª edição do certame.

Milhares de pessoas rumaram até Vale de Maceira e ao espaço do Santuário de Nossa Senhora das Preces para degustar aquele produto típico da freguesia, naquela que foi a 13.ª edição da Festa da Castanha. Ao natural, assadas na caruma como é tradicional ou transformadas em doçaria, quem visitou o certame pôde optar pelas diversas iguarias de castanha disponíveis, ao mesmo tempo que disfrutava de uma da mais belas paisagens da região.

Com cerca de 70 expositores presentes, a Junta de Freguesia de Aldeia das Dez e o seu presidente, Carlos Castanheira, não tem dúvidas que este é um evento que tem vindo a atrair, de ano para ano, mais visitantes, e a prová-lo está a quantidade de castanha transacionada pelos produtores locais. “Houve um aumento substancial da quantidade de castanha e as que temos à venda é toda oriunda dos nossos soitos”, garante o autarca, que vê com satisfação o facto desta árvore autóctone estar a merecer cada vez mais atenção por parte dos produtores e proprietários florestais. “Há uma coisa que nos satisfaz neste momento é que os soitos estão a ser tratados, estão a ser cuidados”, diz, não escondendo, todavia, a ambição de “ter uma floresta com mais castanheiros”. “Temos esperança que as pessoas invertam as suas tendências e que em vez de eucaliptos, optem por árvores mais condizentes com a nossa região”, afirmou o presidente da Junta, confiante que este evento possa também contribuir para o aparecimento de novas plantações, já que sem este produto típico local não teria sido possível realizar e projetar a Festa da Castanha.

Aliás, com o objetivo de aumentar a área de soitos na freguesia, o autarca anunciou que no próximo ano, inserido no programa da Festa da Castanha, irá ser lançada uma plantação “simbólica” de castanheiros numa propriedade da Junta de Freguesia, de modo que esta atitude se possa replicar no concelho.

Segundo dados revelados pelo vice presidente da Câmara, na apresentação deste certame, Oliveira do Hospital tem dado “alguns sinais positivos” de retoma deste tipo de cultura, registando, nos últimos três anos, novas plantações de castanheiro numa área de mais de 50 hectares.

Também o presidente do Município oliveirense, José Carlos Alexandrino, acredita no potencial turístico deste certame e desta zona do concelho, demarcada pelas suas belas paisagens naturais, entendendo, todavia, que este não se deve dissociar da componente religiosa. “Temos de enquadrar esta festa dentro do turismo religioso”, considera o edil, que gostaria que este evento, tal como outros realizados anualmente no concelho, ganhasse ainda mais projeção. “É preciso uma linha condutora para este tipo de eventos”, garante Alexandrino que define como uma das prioridades do próximo orçamento municipal, o investimento nesta e noutras “imagens de marca” do concelho. “Chegou a hora de dizermos que o nosso concelho será um concelho potencialmente turístico, porque temos esta riqueza que outros não têm”, afirma o autarca, apostado em projetar as riquezas naturais, arquitetónicas e gastronómicas locais.

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