Falta de médicos volta a pôr em causa Urgências em Oliveira do Hospital

FAAD lança aviso à Administração Regional de Saúde do Centro, depois de nos dias 24 e 31 de Dezembro terem sido forçados a fechar serviço entre as 20h e as 8h da manhã

O presidente da Fundação Aurélio Amaro Diniz, Álvaro Herdade, diz-se exausto e avisa a ARS do Centro que o Hospital de Oliveira está sem médicos e sem financiamento para continuar a assegurar o serviço de urgências como tem feito desde 2017 (altura em que o Serviço de Atendimento Permanente do Centro de Saúde encerrou).

O clinico, que nos últimos anos tem estado à frente da instituição, garante que a situação está agora mais insustentável do que nunca, por falta de médicos para assegurar o serviço de urgências no hospital, que abre apenas durante a noite e aos fins de semana e feriados, mas também por falta de verba, lamentando que não esteja a ser cumprido o contrato programa que assegura o financiamento deste serviço que fechou depois do grande incêndio de 2017, no Centro de Saúde de Oliveira do Hospital.
O alerta surge depois de nos dias 24 e 31 de Dezembro, o serviço ter ficado a “descoberto” durante 12 horas, entre as 20h e as 8h da manhã, precisamente por falta de médicos.
O dirigente que, nas últimas semanas, juntamente com uma colega de Oliveira do Hospital têm assegurado vários turnos seguidos, com um número de atendimentos recorde (só numa noite foram atendidos 70 utentes), diz que a situação está a tornar-se “inviável”, e garante que se nada for feito, a população vai ficar “literalmente ao abandono”.
“Eu estou completamente estoirado e a Dra. Aldina a mesma coisa, isto não pode ser”, afirma, lamentando que “a população esteja a ser prejudicada” por um problema que se vem arrastando desde 2017 e que a tutela tarda em resolver.
“Incluíram as urgências no nosso contrato programa, mas o dinheiro que tínhamos para as urgências terminou em Agosto, estamos a assegurar o serviço a expensas próprias”, faz notar, lembrando que “neste momento não têm condições para contratar mais médicos”, enquanto não for revisto o plafond do contrato com o Ministério da Saúde que, em 2015 era de 2,5 milhões de euros e que em 2019 já estava apenas nos 1,9 milhões só para as cirurgias programadas. “Se retirarmos a este valor, a despesa com o funcionamento das urgências, ficamos nem com 1,4 milhões de euros” refere Herdade, para quem a população tem cada vez mais razão ao dizer que “não tem onde ir”.
“E nós ainda somos criticados, quando estamos a trabalhar no limite da capacidade humana e quando ainda nos devem dinheiro de 2022, cerca de 70 mil euros”, refere, entendendo que não é por falta de de insistência por parte do atual e do anterior presidente do Município que o problema não é resolvido. “Eles têm estado sempre com esta luta”, diz, lembrando as várias reuniões tidas com a tutela e junto da ARSC, mas o que é facto é que “continuamos nesta indecisão”, com claros prejuízos para os utentes, conclui o médico oliveirense.
Na primeira reunião pública do ano do executivo camarário, esta segunda feira, a vereadora da Coligação PSD/CDS-PP, Sandra Fidalgo, tinha já denunciado a situação do fecho das urgências nas vésperas do Dia de Natal e de Fim de Ano, mostrando a sua estranheza por esse fecho ter acontecido sem qualquer pré aviso ou alerta à população, o que na sua opinião, seria “o mínimo que deveria ser feito”.
À semelhança do que aconteceu um pouco por todo o país, durante este período, em que houve urgências que tiveram de ser reorganizadas, o presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo confirmou também em Oliveira do Hospital ter havido um esforço “hercúleo” por parte dos profissionais de saúde, nomeadamente o “Dr. Álvaro Herdade e a Dra. Aldina Cunha Neves” para manterem as urgências abertas, nas últimas semanas.
O autarca que já tinha dado conta aos vereadores da oposição de um pedido de reunião urgente ao Ministro da Saúde, adiantou que uma das razões se prende precisamente com o serviço de urgências da FAAD. “É uma questão que é premente de ser discutida e decidida pelo Ministério da Saúde, no sentido de reforçarmos os cuidados e os horários de atendimento em regime de urgência aos cidadãos de Oliveira do Hospital e a outros que o hospital também serve”, sustentou o autarca, prometendo “alertar” e “insistir” junto do Governo sobre a urgência em “resolver estas questões”.
Exit mobile version