Arrancou, esta manhã, no tribunal judicial de Oliveira do Hospital o julgamento que opõe os dois ex-dirigentes locais do CHEGA, António José Cardoso e João Rogério Silva, num caso que remonta a Março de 2023.
João Rogério está acusado da prática dos crimes de dano com violência e ameaça agravada contra António José Cardoso que, à altura dos factos, terá originado uma demissão em bloco da Concelhia por não concordar com a nomeação de Rogério pela Distrital do partido.
Esta manhã, no arranque da primeira audiência de julgamento , Cardoso relatou a sua versão dos factos, lembrando a perseguição perpetrada por João Rogério que terá provocado um choque traseiro na viatura ( da empresa) em que se deslocava, na estrada que liga Oliveira do Hospital a Nelas, na parte norte do Parque do Mandanelho.
Cardoso começou por contar que no imediato pensou que teria sido alguém que lhe bateu por distração, apercebendo-se, porém, da presença do seu opositor interno, quando este se atravessa com uma viatura à sua frente e começa a desferir pancadas (entre 8 e 10) contra o carro em que seguia até Mangualde na manhã de 19 de Março de 2023.
António José Cardoso relatou que João Rogério empunhava numa das mãos um pedaço de mangueira de jardim com uma corrente dentro, com que desferia as pancadas no carro, e na outra uma faca tipo “militar” com uma lâmina com cerca de 20 cêntimetros com que simulou o gesto de cortar o pescoço, enquanto gritava “vou-te matar, vou-te matar”. Cardoso disse no tribunal ter ficado “bloqueado” e sem reação durante alguns minutos, tendo apenas trancado as portas da viatura como meio de defesa. Com medo de tudo o que estava a acontecer, Cardoso contou ainda que conseguiu sair do local, tendo feito marcha atrás seguindo até ao posto da GNR, não muito distante dali, para apresentar queixa e pedir proteção das forças de segurança.
Uma versão que para o advogado de defesa do arguido, Rui Monteiro, não bate certo com os factos, questionando desde logo o local exato onde estes ocorreram, a hora e as testemunhas, uma vez que os próprios militares da GNR ouvidos esta manhã, foram contraditórios nos seus depoimentos, havendo uma diferença entre a hora em que Cardoso diz ter apresentado queixa e a hora em que é assinado o auto de ocorrência. Os militares da GNR que estavam de serviço na manhã de 19 de Março de 2023 negaram ainda ter ido junto da viatura de Cardoso para tirar fotos, refutando também a ideia de que haveria mais gente no posto impedindo esta e outras diligências.
Um dos militares confirmou que, nesse mesmo dia, a patrulha terá sido chamada ao Pingo Doce de Oliveira do Hospital, por alegadas ameaças a João Rogério e à sua viatura que se encontrava estacionada no local.
João Rogério, que à data dos acontecimentos tinha sido nomeado coordenador local do Chega assumindo-se como o principal rival interno de Cardoso, optou por não prestar declarações nesta primeira audiência.
Do lado da acusação, Cardoso confessou, esta manhã, perante o Juiz e a Procuradora do Ministério Público que este episódio lhe he terá causado vários problemas de saúde, nomeadamente dificuldades em dormir e agravamento da diabetes, passando a tomar sedativos para descansar. Referiu ainda que o que mais o afetou foi o clima de medo provocado a si e sobretudo à sua família, que a partir daí se sentiu ameaçada.
O julgamento prossegue amanhã ( dia 2) com a audição de novas testemunhas, entre as quais o antigo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino.
