Dez anos depois de ter sido criada a primeira consulta de saúde mental, através de protocolo com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Oliveira do Hospital assinalou aquilo que é agora uma nova resposta nesta área, através da criação da Equipa Comunitária de Saúde Mental, com a inauguração de umas novas instalações propriedade do hospital da FAAD.
A lembrar o percurso “assinalável” de quase uma década de intervenção no concelho, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, garante que os números não mentem relativamente à necessidade destes cuidados de saúde especializados, contabilizando até agora mais de 1300 consultas, das quais mais de 500 são consultas de seguimento, referiu.
“Esteve bem a administração dos CHUC quando criou estes serviços especializados e os trouxe para o interior do território”, frisou o edil, que lembrou que antes desta Equipa Comunitária existir em Oliveira do Hospital, os doentes só tinham estes cuidados de saúde em Coimbra. “Foi um ganho para todos: para os cidadãos, para os profissionais, e para a saúde mental que sai mais valorizada” frisou ainda o presidente do Município, sublinhando a parceria “bem assente” com a Fundação Aurélio Amaro Dinis que permitiu a adaptação destas instalações, reconhecendo tratar-se de “um ganho de conforto e comodidade no acesso aos cuidados de saúde mental” .
Também o diretor do Centro de Responsabilidade Integrada de Saúde Mental da ULS Coimbra, Horácio Firmino, considerou esta unidade um ganho em termos de intervenção em saúde mental no concelho de Oliveira do Hospital. “É mais do que uma simples consulta” garantiu o conhecido médico psiquiatra, lembrando que estes cuidados de especialidade permitem “trabalhar melhor a saúde mental”, com a integração e uma melhor articulação com outros serviços.
A coordenar a consulta de saúde de mental em Oliveira do Hospital desde 2015, a médica Célia Franco agradeceu, por sua vez, a disponibilidade e empenho total das instituições locais, nomeadamente do Município e da FAAD, o que tem permitido “prestarmos melhores serviços”, afirmou, notando que havia doentes, sobretudo os mais graves, que “durante anos não viram um psiquiatra”. Uma melhoria que se traduz não apenas nas consultas ali prestadas, mas também nos próprios cuidados ao domicilio que são feitos pela sua equipa, pois ” se Maomé não vem à montanha, vai a montanha a Maomé”,
Para o Coordenador Regional da Saúde Mental, a Equipa Comunitária de Saúde Mental de Oliveira do Hospital encerra aquilo que é um “excelente” exemplo do que deve ser a resposta em termos de saúde mental na região e no país, alinhada com a reforma em curso nesta área.
Para o presidente da Fundação Aurélio Amaro Dinis, Álvaro Herdade, que acolheu esta nova valência nas suas instalações, num espaço autónomo do Hospital, esta era uma “necessidade” há muito sentida com “urgência” na região, e que o hospital decidiu abraçar., adaptando um edifício que se encontrava praticamente devoluto, colocando-o ao serviço da população.
A concluir as intervenções do momento da inauguração, o presidente da ULS de Coimbra, Alexandre Lourenço, elogiou o trabalho “excecional” que tem vindo a ser feito pelas Equipas Comunitárias de Saúde Mental, e concretamente a de Oliveira do Hospital, pela “proximidade e humanismo” colocados ao serviço dos doentes. “É uma equipa que não se cinge a este espaço físico. Vai a casa das pessoas, procuram os doentes”, realçou, garantindo que este “é um exemplo que estamos a tentar seguir para o resto da ULS de Coimbra”, pretendendo reduzir ao mínimo a resposta hospitalar. Notando que esta é uma área da saúde “muitas vezes sujeita a estigma social”, Alexandre Lourenço não se cansou de considerar o trabalho desta Equipa “um exemplo na proximidade com as populações”, permitindo “uma “integração total de todos os cidadãos”.
