Como é que surgiu a ideia de constituírem esta associação e com que objetivos?
A ideia surgiu pela mera constatação de um vazio em Oliveira do Hospital que, com um sentido jovem e para os jovens, pensando no futuro destes, os conseguisse unir em torno de uma plataforma que agregasse todo o concelho. Creio que era uma falta que a maioria dos jovens sentiam e pairava em diversas conversas que, por largos anos, fomos tendo uns com os outros, daí que tenhamos emergido sob o mote “Na Discussão, A Nossa Solução”. O objectivo principal do FOHRUM é simples e directo: promover a discussão jovem e de toda a sociedade civil, tendo em vista o desenvolvimento do nosso concelho e da nossa região. Ao qual vamos somar, sem dúvida, num pós-pandemia, uma vertente mais próxima e de terreno junto da comunidade, seja ela lúdica, desportiva ou meramente recreativa.
O facto deste ano ser ano de eleições autárquicas, contribuiu, de alguma forma, para a criação do FOHRUM?
De todo. O FOHRUM surgiu num contexto especial, já em 2021, principalmente por dois motivos: um primeiro, relativo à oportunidade e adaptação digital enquanto grande vantagem do contexto pandémico em que ainda nos encontramos, o que por si só contribuiu para uma maior presença das camadas jovens que se encontravam, em tempos normais, deslocadas da nossa terra; a este soma-se a constatação colectiva dos problemas de desgaste e insuficiência das oportunidades jovens e não jovens. Contudo, não negamos a importância do contributo que o FOHRUM, enquanto associação de jovens, independente, apartidária e agregadora, pode oferecer à sociedade civil num ano como este.
Neste sentido, o FOHRUM compromete-se – como aliás tem feito ao longo destes já sete meses – a promover uma iniciativa que una todas as soluções e propostas que nasçam da discussão e coloca-las, a partir das suas plataformas, à disposição e consideração da sociedade civil e dos Oliveirenses. Estamos aqui para servir Oliveira do Hospital e ser um veículo de oportunidades para as suas gentes e é isso que nos importa.
Pretendem, através das diversas conferências e outras iniciativas, estimular a discussão sobre temas estruturantes para o desenvolvimento do concelho. Feito o diagnóstico, como é que pensam influenciar quem decide para adotar as melhores políticas?
Estamos agora a caminhar para a última conferência deste primeiro ciclo-piloto do FOHRUM, conferência essa relativa à Inovação e Tecnologias. Temos noção de que o nosso trajecto pelos diversos temas abordados, de Março a Junho, causou impacto e promoveu a discussão e agitação necessária à criação de um contributo sustentado e de valor.
Mais do que procuramos influenciar quem decide a adopção ou não das políticas concelhias devemos ter sempre presente que o nosso papel principal enquanto cidadãos é exercer uma cidadania participativa e activa. É este o exercício que o FOHRUM representa. O FOHRUM representa uma abordagem diferente e necessária aos problemas que, diariamente, enquanto habitantes do nosso concelho, da Região e do Interior, sentimos e nos aproximamos. A nossa influência pode e deve ser tão-somente positiva e sê-lo quanto mais cidadãos jovens e não jovens atrairmos à discussão.
Definem-se, numa nota de apresentação inicial, como um projeto agregador e independente. O que é que querem dizer exatamente com isto?
Queremos dizer que o FOHRUM enquanto associação de jovens está aberta a todos aqueles que dela queiram fazer parte, sem amarras nem restrições, mas acima de tudo sem donos e sem outros interesses que não os de Oliveira. O alojamento do FOHRUM é o futuro de Oliveira e das suas gentes. Sabemos que o concelho e a região para apresentar melhoras, para dar passos no sentido do seu desenvolvimento, para que possa acolher e estabelecer novas pessoas e ideias precisa do contributo de todos, isto porque apenas com todos o conseguiremos fazer. Neste sentido, o FOHRUM é isso mesmo: um espaço para todos enquanto projecto intergeracional e inovador, independente de qualquer opinião e perspectiva pessoal que cada um tenha.
Oliveira merece inovar e procurar o melhor. A esse desafio nós já dissemos que sim, agora deixamos o repto e a abertura para que Todos o façamos, em conjunto.
Como é sabido, ao Interior não bastam opiniões e reflexões, pois uma boa parte dos problemas está há muito identificado. De que forma é que o FOHRUM pretende marcar a diferença. Têm projetos de vida no e para o Vosso concelho?
Efectivamente, muitos são os problemas que identificamos, sendo que tal identificação levou-nos a tratar, neste primeiro ciclo de conferências, de 5 grandes vectores que nos parecem cruciais ao desenvolvimento da região: Tecido Empresarial, Educação, Saúde, Planeamento Territorial, Ordenamento Florestal e Agrícola, e, por fim, Inovação e Tecnologias. Cremos que a discussão aberta é um dos meios principais para que se atinjam soluções e propostas concretas e coesas, talvez o problema até agora é ter-se tido uma discussão enviesada e pouco focada nos interesses de Oliveira e das suas diferentes gerações.
O FOHRUM traz consigo a vantagem da novidade, da inovação e da esperança em que, com as soluções que surjam das diversas conversas e iniciativas que formos tendo, se caminhe num trilho positivo, bem estruturado, em jeito de oferenda à sociedade civil oliveirense, através da reunião de todos os seus contributos. É esse o nosso projecto colectivo para o concelho. Quanto aos projectos de vida individuais, neste grupo de jovens há na sua maioria uma intenção de continuar por cá, ou, no máximo, nunca perder a conexão às suas raízes, seja pelas mais distintas vias de proximidade.
O concelho tem espaço e tem oportunidades para vós?
Sim. Tem espaço para nós enquanto jovens e têm espaço para nós enquanto FOHRUM. Ao início, sentimos uma certa estranheza à novidade de uma plataforma diferente de todas as outras que há em Oliveira, por parte da comunidade e das várias instituições. Creio que, após as primeiras conferências o foco e intenção do FOHRUM é claro: discutir e encontrar soluções. A existência deste cepticismo e atrito a algo novo representa muito bem o caminho longo que ainda se tem de traçar, mas para isso cá estão os jovens, a sua força e vontade.
Portanto, pergunta-me se há oportunidades? Há. Encontram-se potencializadas? Talvez não, mas o FOHRUM cá está para dar o seu contributo para que assim seja. As oportunidades também se criam e aparecem com este tipo de iniciativas. No nosso grupo existe a vontade, em muitos dos seus membros, de ficarem por cá, de conhecerem e se estabelecerem no território, mas para isso precisam de condições. É ao fomento dessas condições que pretendemos acrescentar o nosso contributo em conjunto com todas as outras associações e instituições de Oliveira do Hospital.
Qual o balanço que fazem da actividade do FOHRUM durante estes 6 meses de actividade pública que agora se concretizam?
O balanço que fazemos é claramente positivo. Após quase 6 meses de actividade e de muito trabalho concretizado, essencialmente, pelas vias digitais, temos a certeza de que cumprimos com o nosso propósito. Termos subordinado as primeiras 4 conferências a temas
– são eles: “Desafios do Tecido Empresarial no Interior”, “Educação de Hoje, Impacto no Amanhã”, “A Saúde no Interior: Desafios do Presente, Soluções para o Futuro” e “Gestão Territorial: Uma Alternativa ao Despovoamento Regional Actual?” – próximos e marcantes para a região trouxe e desperto interesse e mentalidades. Acreditamos que, como já fora do concelho nos elogiaram, dentro do próprio concelho o elogio é ainda maior.
Admitimos que ficámos surpresos com a dinâmica que conseguimos, em tão pouco tempo de existência, imputar ao FOHRUM. Desde dos oradores de renome nacional, regional e local que nos agraciaram com a sua presença e conhecimento. Tivemos vultos reconhecidos das diversas áreas em debate, desde de técnicos aos teóricos, desde dos jovens aos experientes nas matérias. Foi o conteúdo e substância que cada conferência nos trouxe, muito devido à dinâmica pergunta-resposta e a diversidade de experiências dos vários oradores, que reforçou a necessidade de continuarmos, após cada conferência, a pensar ponto por ponto dos temas necessários a debate.
Mais do que “festejar” estes sucessos devemos ter a certeza de que a participação jovem e o seu envolvimento é crucial ao desenvolvimento de qualquer território. Esta deve ser a nossa premissa para continuar a fazer do FOHRUM um espaço aberto e irreverente a todos os jovens do concelho.
O FOHRUM está prestes a encerrar este primeiro ciclo de conferências. Em tempo devido prometemos trazer novas e diferentes actividades, em conjunto de mais discussão e mais presença sobre temas ainda não tratados.
