Unidade de Saúde Pública do Centro de Saúde de Oliveira do Hospital promove pela primeira vez um projeto de intervenção na área da higiene e segurança alimentar.
A unidade de Saúde Pública do Centro de Saúde de Oliveira do Hospital arrancou ontem com um projeto pioneiro na área da higiene e segurança alimentar, que tem como objetivo melhorar a qualidade dos alimentos servidos aos clientes pelos estabelecimentos da restauração do concelho.
A ideia é envolver todos os proprietários de restaurantes, cozinheiros e IPSS’s que manipulem alimentos, de forma a evitar aquilo que todos temem que é a aplicação de coimas por parte da ASAE – a Autoridade de Segurança Alimentar.
Delegada de Saúde de Oliveira do Hospital, Guiomar Sarmento explica que este projeto surge na sequência de um levantamento feito junto dos operadores do concelho, onde se verificou que em mais de 50% havia inconformidades relacionadas com a forma como são manipulados os alimentos. “Decidimos intervir e as empresas aceitaram muito bem, porque aquilo que nós verificámos é que os registos das empresas de HCCP, responsáveis pela higiene e segurança alimentar, não coincidiam com o que nós vimos”, garante a delegada de saúde, lembrando que o serviço que coordena nunca se demitiu de fazer as vistorias neste setor, mesmo depois da “entrada” da ASAE. “A nós não nos interessa que a ASAE aplique coimas, o que nos interessa é que as empresas e instituições façam bem”, entende a médica, convidando todos os operadores locais deste setor a participar neste projeto que batizou de Primar. Primar por uma alimentação equilibra e higienicamente servida nos estabelecimentos comerciais do concelho é assim o objetivo desta ação que tem conta já com uma grande adesão por parte dos empresários oliveirenses.
“As pessoas estão cada vez mais despertas para este problema e recetivos para estas questões, pois sabem que a ideia não é fazermos nenhum levantamento do que está mal, mas ajudá-los a melhorar, porque quanto mais apurada for a qualidade dos alimentos, melhor resposta dão aos seus clientes” entende a responsável pela saúde pública no concelho, lembrando que isto é válido para a restauração, mas também para as IPSS’s que servem refeições “a crianças, idosos, doentes”, pelo que “a alimentação nesses locais tem de ser a melhor possível”.
Procedimentos como ter os frigoríficos organizados e os alimentos embalados, datados e conservados são obrigatórios, mas que segundo a médica nem sempre são cumpridos, sobretudo nos estabelecimentos mais pequenos. “Aquilo que nós notamos sobretudo nos restaurantes mais pequenos é que há uma grande promiscuidade entre o próprio estabelecimento e a habitação do proprietário, essa promiscuidade não pode existir porque tem de se salvaguardar a saúde do consumidor”, constata a delegada de saúde, para quem este projeto é importante para “corrigir” alguns desses problemas, pese embora as empresas de HCCP já façam esse trabalho. “Isto é mais um reforço”, considera Guiomar Sarmento, apostada em intervir junto da restauração para evitar a mão pesada da ASAE, fazendo com que os estabelecimentos cumpram todas as regras de segurança e higiene alimentar, o que nem sempre se verifica.













