Confraria dos Bolos realizou 1º Capítulo em Ervedal da Beira

Fundada há um ano por um grupo de ervedalenses interessados em preservar as tradições gastronómicas da freguesia, a Confraria dos Bolos Doces, Aguardentes e Licores de Ervedal da Beira realizou este domingo o primeiro capítulo de entronização dos novos confrades.

Ao todo, 12 elementos juraram defender e divulgar aquelas iguarias típicas da freguesia, nomeadamente o famoso bolo finto e os matrucos (biscoitos) cozidos em forno de lenha, a aguardente de pera passa e o não menos afamado licor de café, cuja tradição se perde no tempo.

“Não há casa nenhuma no Ervedal que não tenha licor de café e matrucos”, garante a Confreira Mor, Esmeralda Pombo, empenhada, tal como os companheiros que a acompanharam nesta iniciativa, na defesa de todas estas receitas antigas e na sua divulgação. “Esta era uma ideia que já tínhamos há algum tempo, de preservar estes produtos e não deixar que adulterem as nossas receitas, porque senão isto vai-se perdendo”, afirma, lembrando que o Ervedal sempre foi muito conhecido pelos seus bolos doces e licores, até porque eram “confecionados em todas as casas”.

“Fizemos uma compilação das receitas e são quase todas idênticas”, conta Esmeralda Pombo, dizendo que o segredo destes bolos é sobretudo o azeite, mas também o “bater”. “São bolos que levam muito azeite e azeite de boa qualidade”, revela a confreira mor, acrescentando que “para estes bolos ficarem bons têm de bufar os bolos e bufarmos nós a mexer a massa”. “Uma maravilha da gastronomia local” que a Confraria quer preservar não só através deste movimento, mas também com a sua certificação. “Queremos avançar com esse processo, vamos ver se corre bem, porque não existe ninguém a produzir para vender em termos comerciais, algumas pessoas fazem-no apenas particularmente”, explica, adiantando que um dos objetivos da confraria passa precisamente pela produção e comercialização destes produtos criando uma marca própria.

Apesar de recém nascida, a Câmara Municipal também já se mostrou disponível a ceder as antigas instalações da cantina das escolas primárias para sede da nova confraria, que em breve pretende fazer pequenas obras de restauro para se poder instalar. De traje em tons de verde escuro e vermelho – a simbolizar a folha e o fruto do medronheiro, que deram origem ao nome da freguesia (ervededo significa um local onde existe muito medronheiro) os novos confrades fizeram questão de desfilar este domingo pelas ruas do Ervedal, mostrando-se à população, que ao final do dia se reuniu num lanche convívio na sede do teatro ervedalense, para degustar os famosos bolos doces e licores feitos como manda a tradição local. “Penso que a confraria também serviu para isto, para unir as pessoas, fazendo lembrar tempos antigos”, recorda Esmeralda Pombo sem esconder o entusiasmo com este novo projeto, que quer crescer em número de confrades e levar mais longe o sabor das iguarias típicas da freguesia.

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