Confraria do Medronho entroniza novos confrades na Barriosa

Cerimónia teve lugar este domingo.

A Confraria do Medronho realizou, este domingo, mais um capítulo “descentralizado”, homenageando, este ano, uma região e um projeto de desenvolvimento rural sedeado na aldeia de Barriosa (Vide), ligado à produção de aguardentes e licores deste fruto do medronheiro.

Como é tradição, a cerimónia ficou uma vez mais marcada pela entronização de novos confrades que juraram, a partir de agora, defender e divulgar o medronho.

Criada em 2008 exatamente com o objetivo de defender e valorizar a produção de medronho e do medronheiro, uma espécie autóctone com bastante predominância na Beira Serra e todo o Pinhal Interior, esta Confraria tem vindo a realizar os seus capítulos em diferentes locais da região, mas de alguma forma associados a este produto, motivo pelo qual, este ano, escolheu a aldeia de Barriosa, em pleno parque natural da Serra da Estrela.

Mordomo Mor da Confraria do Medronho, José Vasco Campos, fez questão de lembrar que a Barriosa, nomeadamente um jovem empresário local, foi pioneiro há 20 anos na criação de uma empresa – a Quinta do Espinho – que se dedica ao fabrico de aguardentes, licores, vinagres e outros produtos à base de medronho, contribuindo deste modo, para dinamizar a freguesia e toda a região envolvente.

“Fazer tudo isto, nessa altura, com marca própria, com rótulo, com imagem, a partir de um aldeia recôndita como é a Barriosa, foi muito inovador e uma grande aventura, e foi por isso que também quisemos estar aqui hoje para homenagear esse projeto de desenvolvimento”, referiu Vasco Campos, que destacou a “dinâmica” instalada nesta aldeia “encravada entre a Serra do Açor e a Serra da Estrela” devido à existência deste projeto empresarial que acabou por dar origem a um outro – um restaurante típico – que é atualmente uma referência gastronómica desta região serrana. “É destes projetos que esta região e que estas zonas mais inóspitas precisam para manter cá as pessoas”, constatou o mordomo-mor da Confraria do Medronho, pretendendo com a realização do seu sétimo capítulo, chamar a atenção para a importância destas iniciativas empresariais de valorização do mundo rural. “Estes projetos devem ser apoiados e louvados por todos quantos têm responsabilidades locais”, defendeu ainda Vasco Campos, que realçou o facto da aldeia estar inserida numa região “onde há muito medronho” e “onde o eucalipto felizmente ainda não chegou”. “Estamos a fazer tudo para que não chegue, encontramo-nos aqui numa zona de intervenção florestal onde há vários projetos de valorização das espécies autóctones”, aludiu o engenheiro florestal, deixando um pedido aos novos confrades para que a partir de agora sejam verdadeiros embaixadores do medronho, participando nos capítulos de outras confrarias.

A representar a Federação Confrarias Portuguesas, Pedro Couceiro, também apelou aos novos confrades para divulgarem a região e neste caso concreto, o medronho, pois se assim for “e se cada um de nós fizer um bocadinho esse papel parece-me que as confrarias têm o seu objetivo perfeitamente concretizado”, considerou, apostando na maior visibilidade deste movimento que ajuda a divulgar o que de mais genuíno cada território tem. Uma genuinidade e autenticidade que foi descrita, de forma exímia, pelo confrade Fernando Vale, que, na habitual oração de sapiência que integra estas cerimónias, destacou a riqueza natural da Serra do Açor e das suas gentes.

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