Central Fotovoltaica da Sonae Arauco no Vale do Alva: Município garante ter defendido sempre o “interesse público”

Câmara Municipal reage à apreensão gerada com o projeto e assegura que obrigou empresa a reduzir substancialmente a área a ocupar com paineis e a fazer planeamento paisagístico na sua envolvente

Com a polémica a adensar-se na praça pública, o Município de Oliveira do Hospital veio, esta tarde, prestar esclarecimentos sobre o processo que levou à aprovação de uma central fotovoltaica, na zona do Vale do Alva, a implantar pela Sonae Arauco. Prevista para uma zona de encosta, na União de Freguesias de Penalva de Alva e São Sebastião da Feira e União das freguesias de Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços, a Unidade de Produção para Autoconsumo da Sonae Arauco destina-se exclusivamente à geração de energia para autoconsumo da fábrica com recurso a fontes de energia renováveis, nomeadamente através de painéis fotovoltaicos.

O projeto, que representa um investimento de cerca de 8 milhões de euros, é apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito do “Apoio à Descarbonização da Indústria”, e obteve, segundo o Município oliveirense, os pareceres favoráveis da CCDR-C; do Ministério do Ambiente, através da Agência Portuguesa do Ambiente, e da Direção Geral de Energia e Geologia, entidades sob a alçada do Governo, pelo que terá obrigatoriamente de ser executado, de acordo os prazos estabelecidos pelo Governo de Portugal.

Num comunicado emitido esta tarde, e em resposta à apreensão gerada por este projeto, a Câmara Municipal garante ter tido sempre – e desde a primeira hora – “uma posição muito exigente junto da Sonae Arauco, o que obrigou a empresa a refazer o projeto da UPAC, reduzindo desde logo a área de implantação do projeto de 6,9 hectares para 3,6 hectares”. “Ou seja: a Câmara Municipal rejeitou liminarmente o projeto inicial, obrigando a entidade promotora, através de um diálogo sério e construtivo, a reduzir a referida área, por forma a minimizar consideravelmente o seu impacte visual e estético, e a afastá-lo das zonas ribeirinhas, estradas municipais e de empreendimentos turísticos”.

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O Município refere ainda que “a área onde a Sonae Arauco pretende implementar este projeto, e que foi escolhido pelo facto de a empresa não ter encontrado outra alternativa, que fosse de encontro à área mínima exigível, é um terreno entre encostas, predominantemente povoado por espécies invasoras, vulgarmente conhecidas como “mimosas”, e por matos e incultos.

Trata-se de um terreno em que a sua mancha florestal foi completamente devastada no incêndio de 2013 e, posteriormente, em 2017”.

Outra questão sublinhada pelo Executivo Municipal tem a ver “com a competitividade da empresa Sonae Arauco em Oliveira do Hospital”, na medida em que “o recurso a fontes de energias renováveis, permite uma maior eficiência em termos energéticos, assim como o cumprir de responsabilidades com a economia verde, por via da redução drástica da emissão de C02, metas que obrigatoriamente terá de obedecer no âmbito do “Portugal 2030”.

Por isso, neste processo, a Câmara Municipal garante “não poderia colocar em perigo a competitividade da Sonae Arauco, uma empresa responsável por 230 postos de trabalho diretos e cerca de 600 empregos indiretos, exportando anualmente mais de 11 milhões de euros”.

A Câmara Municipal defendeu sempre o interesse público, obrigando também a empresa a implementar um Plano de Integração Paisagística (PIP), a fim de garantir o enquadramento da área da central fotovoltaica com a sua envolvente, evitando a sua descaracterização e minimizando assim eventuais impactes menos positivos, o que implicará o estabelecimento de barreiras verdes, a eliminação da vegetação infestante e exótica, a plantação ordenada de espécies arbóreas e arbustivas autóctones, como sobreiros, carvalhos e medronheiros”, esclarece o mesmo comunicado, que adianta que “como complemento ao PIP, a administração da Sonae Arauco assumiu em reunião de Câmara – perante o Executivo Municipal –, que irá promover projetos de responsabilidade socia e ambiental, nomeadamente ao nível de ações de reflorestação com espécies autóctones”.

A concluir o comunicado, a Câmara Municipal faz notar ainda que só tem de se “pronunciar sobre esta operação urbanística, em virtude de aquele terreno se encontrar numa Área Prioritária de Prevenção e Segurança, e na classe de perigosidade de incêndio rural “elevada”, por força da publicação, em 20121, do Decreto-Lei n.º 82/2021 que estabelece o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR)”.

Quer isto dizer que se não fosse esta condicionante relacionada com as áreas de risco de incêndio rural, a Sonae Arauco poderia recorrer ao chamado “Simplex Urbanístico” para licenciar a instalação da central fotovoltaica, bastando-lhe apenas fazer uma comunicação prévia à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital”,remata

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