“Passado Glorioso” foi recordado por diretores e autarquia.
É a mais antiga instituição da freguesia de Nogueira do Cravo e acaba de assinalar 80 anos de existência, numa efeméride que juntou atuais e antigos diretores, sócios, e população em geral que fizeram questão de recordar o passado “glorioso” da sua Casa do Povo.
Fundada em 1934 por um “ilustre benfeitor desta terra”, António Tinoco, a Casa do Povo de Nogueira soube “sobreviver” às mudanças e às exigências de cada época, mantendo, ao longo dos seus 80 anos de vida, uma intensa atividade cultural e não só, já que as suas instalações albergaram importantes serviços de apoio à população, como o posto médico, e mais recentemente a escola do primeiro ciclo, no decorrer das obras de construção do novo centro educativo.
Numa mensagem lida pelo vice presidente da direção, o presidente, José Manuel Rodrigues, que esteve ausente por motivos de saúde, realçou precisamente o “contributo preponderante e fundamental” da Casa do Povo na vida da “nossa comunidade”, que, ao longo dos seus 80 anos, “serviu os interesses da população, mediante as exigências de cada época”. “Com certeza que alguns de nós recordam que a Casa do Povo serviu outrora como balneário do nosso clube de futebol. Relembro os jogadores a correrem até ao campo de futebol, depois de estarem devidamente equipados. Certamente que quando chegavam já tinham parte do aquecimento feito e com muitas vitórias nos alegraram”, recordou o dirigente, lembrando igualmente o tempo em que “as peças de teatro que aqui se apresentaram preenchiam os serões” dos nogueirenses. Para além do teatro, a Casa do Povo foi palco de muitos outros acontecimentos culturais, como os famosos bailaricos e projeções cinematográficas que ajudavam à “confraternização e convívio das gentes desta terra”.
Sede, durante vários anos do posto médico local, a Casa do Povo de Nogueira do Cravo foi de resto, o albergue senão mesmo o embrião, de muitas instituições da freguesia, nomeadamente a Junta de Freguesia, o Centro do Dia e a Igreja, tendo sido o espaço onde as crianças frequentavam a catequese. Mais recentemente aquando da construção do centro educativo, “a Casa do povo foi o lugar onde muitas crianças começaram a juntar as primeiras letras”, enfatizou ainda o presidente da direção, justificando assim as obras de remodelação inauguradas simbolicamente neste aniversário comemorativo, tendo em vista a melhoria das condições do espaço que durante três anos funcionou como escola primária.
Vice presidente da Casa do Povo de Nogueira, Paulo Mendes, lembra que os arranjos interiores do espaço foram financiados pelo Município que, desta forma, compensou a instituição pelos “danos” causados no período em que esta esteve praticamente ao serviço do ensino básico na freguesia, limitando muitas outras atividades da Casa do Povo.
Um dos projetos que, segundo a direção, ganha agora novo fôlego é a escola de música que apesar de já ter 22 anos de existência, e de ter conhecido algumas interrupções pelo meio, deu origem ao Grupo de Cantares da freguesia. “Neste grupo, os alunos podem aplicar os seus conhecimentos e por outro lado, o Grupo de Cantares abre portas a pessoas de diferentes idades que são uma mais valia” referiu o presidente, aproveitando para agradecer, em dia de aniversário, “a todas as pessoas que ao longo destes anos não deixaram morrer o nosso cancioneiro e levaram a conhecer a nossa tradição a outras regiões”.
Projeto pioneiro foi ainda, há cinco anos, o lançamento do Jornal local “O Chapinheiro” que “aborda e leva para além fronteiras as notícias da Freguesia”. “Este jornal é fruto de um grupo de pessoas empenhadas, a quem agradeço, o facto de querem manter vivas e destacarem as atividades desenvolvidas na nossa Freguesia, que consequentemente não esquecem as nossas tradições”, reforçou ainda José Manuel Rodrigues, para quem o trabalho desenvolvido nesta instituição é reflexo de um “querer” de equipa, “sem esquecer toda a história que orgulhosamente sentimos”.
Também os representantes da autarquia destacaram a importância desta instituição e o papel que tem desempenhado no crescimento e apoio às gentes da freguesia, o que depois destas obras, poderá ser reforçado, nomeadamente na área da cultura, dispondo agora de melhores condições para a realização de atividades que até agora estavam “limitadas” ao espaço.
