Carlos Carvalheira toma posse para novo mandato no AEOH e assume preocupação com indisciplina, violência e “desresponsabilização parental”

Numa cerimónia marcada pela emoção e pelo forte apoio da comunidade educativa, Carlos Carvalheira tomou posse, esta quinta-feira (28), para um novo mandato de quatro anos na liderança do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital (AEOH). Reconduzido por unanimidade, o diretor não escondeu as lágrimas ao assumir o cargo, aproveitando o momento para traçar as grandes metas pedagógicas e os desafios para o futuro da escola pública.

A abertura da sessão coube a Maria José Silva, presidente do Conselho Geral, que sublinhou que a votação unânime traduz, “de forma inequívoca, a confiança que toda a comunidade educativa deposita na sua liderança, no seu projeto e na sua pessoa”.

Visivelmente comovido ao dirigir-se aos colegas e amigos presentes, Carlos Carvalheira referiu que a tomada de posse é, acima de tudo, “a festa do AEOH, a festa de um projeto que assenta em poder valorizar toda a comunidade educativa em que todos contam”.

O diretor deu conta dos profundos desafios sociais que afetam o ambiente na sala de aula. Admitindo que “liderar um Agrupamento desta dimensão não tem sido fácil”, o responsável lembrou os “tempos difíceis, desafiantes e conturbados” dos últimos anos. Carlos Carvalheira manifestou-se particularmente preocupado com o aumento da indisciplina, da violência e da “desresponsabilização parental”, considerando que “a evolução da sociedade trouxe mais indisciplina, mais descrédito pela instituição escola e mais dificuldade na gestão diária do ambiente escolar”. Para inverter este cenário, defendeu uma revisão urgente do Estatuto do Aluno e exigiu dar “mais autoridade, tempo e condições físicas e materiais” aos professores, acrescentando que “precisamos de projetos pedagógicos adequados a esta nova sociedade da inteligência artificial”.

O líder do agrupamento assumiu uma posição clara na defesa de uma escola pública inclusiva e democrática. “A escola é para todos”, afirmou convictamente, alertando que a comunidade não se pode “deixar enganar com discursos populistas, xenófobos ou sectários”. O diretor garantiu que continuará a defender valores como a tolerância, a solidariedade e o respeito pela diferença, assegurando que “a escola deve estar sempre na linha da frente na defesa destes valores”.

Além das questões sociais, o novo mandato arranca com exigências ao nível das infraestruturas. O diretor aproveitou a ocasião para apelar ao município pelo arranque rápido das intervenções pendentes. “Precisamos que as obras na Escola de Lagares da Beira e da Cordinha se iniciem rapidamente”, sublinhou, reivindicando também a criação de um polivalente coberto na Escola Secundária.

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, garantiu que a autarquia continuará a apoiar o agrupamento, apesar do pesado esforço financeiro decorrente da descentralização de competências. “O Município de Oliveira do Hospital investe 5,3 milhões de euros em educação”, revelou o autarca, assumindo a existência de “um défice de 1,8 milhões de euros” suportado pelo orçamento municipal.

Na ocasião, a vereadora da Educação, Luísa Correia, deixou uma mensagem de apoio, desejando “muito sucesso, sempre com os alunos no centro das atenções e das decisões e com a educação como o horizonte maior”.

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