Os Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital (BVOH) viveram mais um dia de festa, com as comemorações, este domingo, do 103º aniversário, que começaram manhã cedo com o habitual desfile de viaturas e apeado, a que se seguiram as promoções e condecorações no seio do corpo ativo e a sessão solene comemorativa, onde não faltaram elogios ao trabalho desta corporação, que contrastaram com as criticas ao Estado Central e, muito concretamente, à Unidade Local de Saúde de Coimbra (ULS).
Emídio Camacho, Comandante dos BVOH, começou por enaltecer quem, como “os bombeiros”, têm servido “a comunidade” ao longos dos anos, e são já muitos, 103 anos, o que, na sua opinião, só demonstra o “espirito de sacrifício” de quem tem feito parte desta história. Na sua intervenção, o comandante voltou a frisar a necessidade de “um plano para o reequipamento da corporação”, bem como “um plano de incentivo ao voluntariado”.
Um percurso de 103 anos “resumido” pela presidente da Assembleia Geral da AHBVOH, Maria José Freixinho, em três palavras: “gratidão, respeito e esperança”. Referindo-se a este trabalho “em prol dos outros” como algo que “nos deve inspirar”, a dirigente entende que “estes homens e mulheres que trabalham 365 dias por ano, 24 horas por dia, são “uma âncora da sociedade”.
Um trabalho sublinhado também pelo Comandante Sub Regional de Coimbra, Carlos Luis Tavares, para quem o “crescimento desta associação é notável”, fruto da “excelência e do rigor da direção e comando”.
Choveram criticas à ULS Coimbra
Perante os desafios diários a que a Corporação tem de dar resposta “eficaz”, o presidente da Direção da AHBVOH, Arménio Tavares, não deixou de denunciar a “conduta” da Unidade Local de Saúde de Coimbra, pelos atrasos nos pagamentos dos serviços prestados na área da saúde, o que ascende “ao momento de hoje” a mais de 200 mil euros, sendo mais de metade deste montante referente ao ano de 2024. Uma dívida que, ainda assim, não impediu a corporação de alargar a resposta nesta área, ao reforçar as equipas de profissionais, o que tem um custo direto de mais de 1400 euros por fim de semana. “Entendemos que este é um ato de cidadania”, concluiu, todavia, o dirigente.
A participar no seu primeiro ato público enquanto presidente da Federação Distrital dos Bombeiros, Luis Sousa, lembrou a importância destas comemorações e dos Bombeiros de Oliveira do Hospital em particular, considerando a corporação “um pilar fundamental no concelho, pelo trabalho incansável no socorro à população”. E corroborou da denúncia do presidente da Direção, ao lamentar também os atrasos dos pagamentos por parte da ULSCoimbra, o que na sua opinião, “afeta a capacidade financeira” das Associações Humanitárias. Luis Sousa adiantou mesmo que a entidade regional de saúde deve atualmente mais de três milhões de euros aos Bombeiros da região de Coimbra e questionou a verba de 35 milhões de euros alocada a 437 associações humanitárias do país.
“Não sei que contas é que fazem”, desabafou, aproveitando para agradecer às autarquias o facto de muitas vezes se substituirem ao Estado Central e acabarem por serem elas a “salvaguardar o apoio aos Bombeiros”.
Criticas deixadas também pela Liga dos Bombeiros Portugueses, e pelo seu representante, Fernando Farreca, que garantiu que as ULS têm dinheiro e como tal “têm de o entregar a quem de direito”, considerando ainda uma “vergonha” o que se passa com os fardamentos que “estão parados na Secretaria de Estado”, lamentando que “cada um ande fardado à sua maneira”.
Município investiu até agora 1,2 milhões de euros nas duas corporações do concelho
A destacar estes “homens e mulheres que estão na linha da frente para proteger pessoas e bens”, o presidente do Município de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, lembrou que estes 103 anos da AHBVOH, são acima de tudo “mais de um século de entrega”, de quem, como os soldados da paz, “coloca em risco a sua própria vida” para salvar o próximo.
Lembrando que o papel dos bombeiros se anuncia cada vez mais “complexo” devido às alterações climáticas, o autarca afirmou também ser cada vez mais determinante “investimento financeiro” para que “as corporações tenham meios necessários para as suas missões”. Assim, avançou que o Município vai oferecer duas viaturas de combate a incêndios às duas corporações de bombeiros, reforçando aquilo que é já o investimento anual no dispositivo de Proteção Civil Municipal.
Anualmente, a autarquia apoia com 225 mil euros os dois corpos de bombeiros do concelho, que é dos poucos do país a contar com seis Equipas de Intervenção Permanente, referiu o autarca, que somou ainda o investimento de mais de 1,2 milhões de euros nas duas associações humanitárias, desde que tomou posse como presidente do Município, em 2021.
