Dizem que a atuação das autoridades vai afastar visitantes do certame que tem lugar todos os anos no mês de novembro.
Dezenas de automobilistas estão a ser surpreendidos com multas de estacionamento aplicadas pela GNR de Oliveira do Hospital, no decorrer da feira do porco, no passado mês de novembro. Uma situação que está a deixar aqueles visitantes indignados, na medida em que garantem ter estacionado as respetivas viaturas em locais que não eram suscetiveis de causar transtornos no trânsito.
Aliás, tendo em conta a concentração e o aumento do tráfego durante o dia do certame, a Junta de Freguesia todos os anos apela aos visitantes para estacionarem os carros nos vários parques de estacionamento que são improvisados para o efeito, até para evitar engarrafamentos e outros problemas com moradores, como aconteceu nos primeiros anos do certame.
Apesar da disponibilidade de lugares, o que acontece muitas vezes, segundo o presidente da Junta, Aníbal Correia, é que as pessoas “por vezes optam por deixar os carros estacionados à beira da estrada, em sítios mais próximos da feira”, o que “não quer dizer que estejam a estorvar o trânsito”, acrescenta. Apesar de reconhecer algum “comodismo” por parte de alguns automobilistas, o autarca não deixa de lamentar que tratando-se de um evento com a projeção com tem a feira do porco, que mobiliza pessoas de todo o país, as autoridades tenham sido tão solicitas a aplicar autos de contra ordenação por mau estacionamento, quando da parte da Junta de Freguesia tinha sido solicitado apoio às forças de segurança para “ajudar a ordenar o trânsito no dia da feira”, e foi recusado devido à alegada indisponibilidade de envio de patrulhas para o local. “Nós ainda tentámos requisitar uma brigada para nos ajudar a regular o trânsito como fazemos todos os anos, mas foi-nos dito que só pagando, uma vez que não tinham homens disponíveis para assegurar esse serviço, afinal chegamos à conclusão que tinham pessoal, porque multaram toda a gente que supostamente estava mal estacionada e ainda cercaram as principais entradas e saídas da freguesia com operações stop”, refere o autarca merugense, constatando algum “excesso de zelo” das forças de segurança que em vez de colaborarem com o evento, com estas ações estão a afastar os visitantes daquele que é atualmente um dos maiores certames realizados no concelho.
“Provavelmente para o ano muita gente já vai pensar duas vezes e fica sossegadinho em casa, em vez de ir passear e arranjar mais uma despesa”, diz Aníbal Correia, acreditando que para fazer cumprir a lei não seria necessário aplicar tanta “multa”, já que tem indicação de que haverá pelo menos quatro dezenas de condutores autuados.
Tanto mais que em nenhuma situação se colocou “qualquer bloqueio de trânsito como já houve noutros anos”, afirma o autarca, lamentando que estes autos possam afastar futuramente os visitantes deste e de outros eventos do género, onde, no seu entender, deve haver “alguma tolerância” com a questão do estacionamento. “Perdemos todos com isto”, conclui o autarca.
Contactado pelo nosso jornal, o comandante do Destacamento da GNR da Lousã, Tenente Oliveira, garante já ter sido confrontado com esta situação, aproveitando para esclarecer que no caso da Feira do Porco de Meruge, as forças de segurança só atuaram porque foram chamados a intervir, pelo que chegados ao local “tiveram que intervir sem olhar a meios, autuando todos os automobilistas que estavam mal estacionados”. “Nestas coisas, há sempre quem goste de festas e quem não goste” refere o comandante do Destacamento, dando a entender que os automobilistas autuados nesse dia, acabaram por ser “vítimas” de denúncia de algum morador supostamente lesado com a ocupação indevida de propriedade privada.
