Tema das infra estruturas rodoviárias voltou a marcar sessão solene comemorativa do feriado municipal, onde o autarca falou pela primeira vez abertamente numa recandidatura, se o Governo resolver problema da EN17 e IC6.
O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, voltou ontem a pedir “sinais claros” ao Governo de que quer concretizar as tão reivindicadas acessibilidades rodoviárias ao concelho.
Depois de na sessão solene comemorativa do feriado municipal, que decorreu na Casa da Cultura, ter aproveitado a presença do ministro adjunto, Eduardo Cabrita, para voltar a falar neste dossiê e na “desigualdade” que a falta destas infra estruturas tem provocado ao desenvolvimento do concelho, Alexandrino, afirmava, mais tarde, em declarações aos jornalistas, que só será recandidato a um terceiro mandato na presidência da autarquia oliveirense, se o Governo der sinais inequívocos de que vai solucionar este problema.
“Nós percebemos que o Governo tem alguns problemas orçamentais, mas claramente não é tempo de nos escudarmos em desculpas, porque eu vejo o dinheiro ir para outras regiões mais ricas que Oliveira do Hospital e não percebo esses critérios e é por isso que estou determinado a levar esta luta até ao fim”, afirmou o edil, confessando-se um “homem desiludido” e no “limite da paciência” em relação à requalificação da EN17, cujo concurso foi lançado há mais de um ano e a obra continua sem vir para o terreno. “Há aqui qualquer coisa de errado e que eu não posso compactuar com isso”, referiu, fazendo depender mesmo a possibilidade de uma recandidatura às próximas eleições autárquicas da “posição” do Governo em relação as estas obras que são “estruturantes”.
“Terá muito a ver com a minha decisão, é certo que até às eleições não há nenhum Governo que possa fazer o IC6, mas pode fazer a requalificação da EN17”, sustentou, julgando que “o mais importante é que este Governo dê sinais claros de que vai concretizar esta obra”. “Essa é uma das condições que poderá viabilizar ou não a minha recandidatura, estará nas mãos deste ministro das infra estruturas”, adiantou, aos jornalistas, depois de na sessão solene ter já deixado a mensagem ao ministro Eduardo Cabrita de que é preciso “resolver esta questão”, para “não ficarmos irremediavelmente para trás”.
Lembrando que o próximo Orçamento de Estado “trará aqui algumas novidades” e que “marcará a diferença com medidas de discriminação positiva” para o interior do país, o ministro adjunto, falou na possibilidade destas ligações virem a ser avaliadas, pese embora terem sido consideradas “prioridade negativa”, no acordo de parceria negociado pelo Governo anterior do PSD. Adiantou que estão a ser analisadas situações “pontualíssimas” em que seja possível associar a conclusão de ligações à ligação a polos industriais, onde Oliveira do Hospital pode ser incluído.
Reivindicações à parte, a sessão solene comemorativa do feriado municipal ficou uma vez mais assolada pelas emoções com a homenagem a um conjunto de ilustres oliveirenses, destacando-se a medalha de ouro atribuída à antiga ministra do ambiente, Dulce Pássaro, cuja ação governativa foi amplamente elogiada e ainda o internacional de futebol, Carlos Martins, cujo percurso dentro e fora dos relvados foi também enaltecido, nomeadamente, a luta que travou, há poucos anos, pela vida do filho Gustavo que necessitou de um transplante de medula, gerando uma onda de solidariedade de todos os oliveirenses e do país em geral. Foram ainda agraciados a título póstumo, o empresário “Neca Areias”, recordado pela sua “veia para os negócios” mas também pelo homem “amigo da família” e de muitas instituições oliveirenses que apoiou, e o professor da Cordinha, Joaquim Carvalheira, um “homem grande”, cujos predicados foram recordados pela neta Matilde.
Receberam ainda a medalha de mérito municipal António Andrade Fontes, como principal impulsionador da “enorme” obra social realizada em Alvoco das Várzeas, o maestro avoense, Mário Luís da Costa e a empresa Amadeu Gonçalves Cura e filhos, considerada uma das melhores e mais pujantes empresas do setor da construção civil do concelho de Oliveira do Hospital, que tem hoje a na sua liderança os filhos e netos do fundador. Homenagem que, como já é tradição neste dia, foi extensível aos melhores alunos da escola secundária, Eptoliva e ESTGOH.
