Alexandrino admite baixar preço da água

Município irá integrar um novo sistema multimunicipal de abastecimento que lhe deverá permitir mexer nas tarifas da água e do saneamento.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital espera ter condições para voltar a mexer nos tarifários da água e saneamento, reduzindo a fatura dos oliveirenses, com o novo diploma legal que vai reestruturar o setor das águas em Portugal.

José Carlos Alexandrino falava na reunião pública do executivo, onde deu nota da proposta de adesão do Município a um novo sistema multimunicipal de águas, no caso concreto à empresa Lisboa e Vale do Tejo, que irá permitir à autarquia “comprar” a água a um preço significativamente mais reduzido que aquele que é faturado atualmente pelas Águas do Zêzere e Côa. Quando o novo diploma entrar em vigor, o Município oliveirense, passará a pagar o m3 da água a 0,66 cêntimos, ou seja, cerca de menos dez cêntimos do que é cobrado pelas AZC.

Também ao nível do saneamento básico, a autarquia prevê uma poupança “significativa”, devendo passar a pagar quase 20 cêntimos a menos por m3 do que acontece atualmente, o que segundo o edil, é tanto mais representativo “por causa do problema das águas pluviais” que entram no sistema, fazendo com que haja hoje em dia faturas de valores incomportáveis.

Alexandrino garante que nos meses em que chove muito, o Município chega a ter 150 mil euros para pagar à AZC, só de saneamento. Ora, com esta mudança, e apesar de ainda não ser desta que a reestruturação das Águas de Portugal permite a criação de um tarifário único a nível nacional, o autarca espera, pelo menos, poder cobrir o deficit tarifário nesta área, que nos últimos anos tem sido responsável pelo aumento da despesa, impedindo inclusivamente a Câmara Municipal de avançar com alguma “obra física” no concelho.

Além de prever uma redução da fatura com estes serviços, o presidente da Câmara exige ainda ser ressarcido dos pagamentos que têm feito “a mais” às Águas do Zêzere e Côa, já que Oliveira do Hospital, tal como os outros municípios que integram este sistema multimunicipal, desde a saída da Covilhã, estão a pagar a água e o saneamento a preços muito mais elevados que estavam previstos apenas serem aplicados daqui a alguns anos. “A viabilidade económica deste município depende muito disto, do abaixamento das tarifas, porque isto desequilibra completamente as contas”, afirmou Alexandrino, que deu ainda nota do “grande trabalho” que tem vindo a ser feito nesta área, desde o seu primeiro mandato, com a criação, pela primeira vez, de uma equipa multidisciplinar só para este setor.

Apesar de reconhecer que os aumentos dos tarifários lançados no início deste ano foram “significativos”, o autarca lembra mesmo assim que o Município nunca cumpriu as recomendações da ERSAD, relativamente ao custo da água para a Câmara ser superior ao que é faturado ao consumidor. Além de que “as pessoas esquecem-se do que se passava no passado, em que havia falhas de água constantes, a água tinha cheiro, hoje a qualidade da água não tem a ver embora ainda haja muita coisa a melhorar”, considerou o edil, dizendo que encontrou uma estrutura completamente obsoleta nesta área, em que as pessoas nem sequer recebiam a fatura em casa. Ora, “isto tudo também tem custos”, entende, não tendo dúvidas que os seus executivos tiveram “uma visão que outros não tiveram”, ao modernizar um setor básico do município. “Herdei um concelho muito desfasado no tempo”, referiu ainda o edil, garantindo ter em breve um concelho em que todas as povoações e localidades terão água de qualidade e uma cobertura, ao nível de saneamento básico, na ordem dos 95%.

Também o vice presidente da Câmara, José Francisco Rolo, reconheceu o empenho do presidente da autarquia neste dossiê, tendo estado na linha da frente da negociação de um equilíbrio tarifário particularmente para os territórios de baixa densidade.

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