A caminho do 102.º aniversário, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital continua apostada na sustentabilidade e modernização dos espaços e equipamentos da instituição.
Em 2023, foi das primeiras corporações do país a investir na mobilidade elétrica, adquirindo a primeira ambulância 100% recarregável, e a esta altura, somam já mais três viaturas elétricas de transporte de doentes não urgentes, num investimento de 220 mil euros.
Um esforço financeiro elevado, mas que foi a forma encontrada pela AHBVOH para contornar a subida constante do preços dos combustíveis, e a despesa mensal nos milhares de quilómetros percorridos pelas viaturas da Corporação. “Estávamos a chegar a um ponto em que era insustentável, com a nossa afluência de serviço”, explica o presidente, Arménio Tavares, lembrando que o preço pago por quilómetro aos Bombeiros, continua a ser “manifestamente insuficiente” face aos custos cada vez mais “pesados” em combustiveis, reparações e salários dos atuais 33 funcionários.
“A única forma foi recorrer à aquisição destas viaturas cujos custos de manutenção são muito mais baixos, além de que a energia é competetiva em relação ao preço do gasóleo”, refere o presidente da instituição, garantindo que só não avançaram mais cedo para a compra destas viaturas porque “não estavam disponiveis no mercado, com a autonomia que necessitávamos”. “Em termos de ambulâncias de socorro ainda não conseguimos dar esse passo, porque precisam de mais autonomia, porque trabalham em cenário de urgência, logo consumem mais energia” explica, apostado em reduzir a fatura em combustiveis, até para conseguir fazer face aos atrasos de pagamentos dos serviços prestados na área da saúde.
“A 31 de Dezembro deviam-nos 250 mil euros, mas temos mais alguns milhares de serviços não faturados desde o inicio do ano, que representam cerca de 80 mil euros, tudo somando passa dos 300 mil euros” refere Arménio Tavares, lembrando que “os BVOH são dos que mais serviços faz no distrito”, acumulando, nesta altura, uma das dívidas mais altas dos últimos anos por parte dos hospitais centrais. “Isto só se consegue aguentar porque nós temos uma gestão muito equilibrada, e nesse aspecto respiramos saúde”, considera o dirigente, que não tem dúvidas que esta situação faz a diferença nas dinâmicas da Corporação que continua viva, activa e sem razões de queixa quanto ao voluntariado.
“Há uma motivação que tem a ver com algumas dinâmicas como a Escolinha de Bombeiros, a Fanfarra, que nos aproximam da comunidade”, adianta o comandante Emidio Camacho, que dá como exemplo uma ação de sensibilização que já têm em preparação para avançar junto do AEOH, precisamente com o objetivo de chamar a atenção dos mais jovens para a importância e para o papel dos bombeiros. “Com estas ações vamos tentar que venha mais gente até nós”, diz o comandante que diz não sentir a “crise” de voluntários que há muito é sentida por outras corporações.
“Nós tentamos sempre com as nossas dinâmicas próprias manter o corpo de voluntários motivado” assegura, apontando para a aposta na formação constante e permanente do corpo de bombeiros, fundamental para a sua operacionalidade e eficácia quer seja no setor da saúde, quer seja na proteção de pessoas e bens, ou no combate aos fogos florestais, onde a luta é também a renovação do parque de viaturas. “Temos um parque bastante envelhecido, com quase todas as viaturas com mais de 25 anos”, lamentam, lembrando que a viatura mais recente foi a que o Município ofereceu, depois da perda total de um veículo, no combate a um incêndio florestal no concelho. “O resto tem tudo 25 anos ou mais e andamos sempre a remendar”, garante Arménio Tavares para quem,mais uma vez, a solidez financeira da Associação, permite fazer alguns investimentos e manter o parque de viaturas operacional para dar resposta aos meses mais criticos que se avizinham.
Reconhecida ainda recentemente, durante um Colóquio que decorreu no Algarve, pelas boas práticas de gestão, a Associação Humanitária dos BVOH prevê ainda este ano apresentar uma candidatura no âmbito da eficiência energética, para expansão da área de painéis fotovoltaicos nas suas instalações. “A ideia é sermos auto suficientes”, assegura o presidente que, com ou sem apoios, garante a concretização de mais um investimento que, a curto prazo, terá também retorno na fatura energética da Associação.
Com projeto na mão, mas ainda à espera de apoios públicos para a sua concretização, está ainda o edifício do futuro Museu da AHBVOH, que pretende ver erguido num terreno contíguo ao quartel. “É um edifício com dois pisos, que servirá essencialmente de espaço para expormos as viaturas antigas e objetos antigos, e terá uma sala polivalente/auditório”, referem a caminho dos 102 anos da instituição, que este ano comemoram em abril.

