Autarca de Oliveira do Hospital exige inclusão do concelho nos apoios do Governo após depressão Kristin

O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, considera injusto que o concelho não tenha sido, até ao momento, incluído pelo Governo no conjunto de municípios abrangidos pelas medidas de apoio na sequência da depressão Kristin, apesar dos “evidentes prejuízos” registados no território.

No entender do autarca, Oliveira do Hospital foi afetado de forma significativa pelo mau tempo, situação que se prolonga devido ao aumento dos caudais dos rios, às chuvas intensas e aos vários deslizamentos de terras. “Estamos a falar de cidadãos, empresas, associações e equipamentos públicos que sofreram danos e que, neste momento, não têm acesso às ajudas do Estado”, afirmou.

Segundo José Francisco Rolo, a não inclusão do concelho impede, por exemplo, que famílias recebam apoios para reparar habitações danificadas, que equipamentos desportivos como o Estádio Municipal ou o da Associação Desportiva Nogueirense sejam recuperados, ou ainda que se intervenha em estradas, taludes e zonas ribeirinhas afetadas. Entre os casos mais graves, o autarca destacou a “total devastação” das praias fluviais de Avô e de São Sebastião da Feira e outras estruturas balneares.

O presidente da autarquia revelou que, só com as depressões Ingrid e Joseph, anteriores à Kristin, os danos no concelho foram avaliados em cerca de 800 mil euros. Com a tempestade Kristin, o número de ocorrências ultrapassa já a centena, incluindo danos em escolas, parques e jardins públicos, infiltrações no pavilhão municipal, queda de árvores, estragos em infraestruturas turísticas, explorações agropecuárias e empresas. Houve ainda necessidade de realojar uma pessoa devido à degradação da sua habitação.

José Francisco Rolo lembrou também situações de risco em várias zonas do concelho, como o deslizamento de uma encosta junto à Estrada Municipal 508, em Aldeia das Dez, que coloca em perigo a circulação rodoviária, bem como a destruição de muros agrícolas e de abrigos animais.

Apesar da indignação, o autarca garante que a posição do município é “construtiva e racional”. Segundo contou, a Câmara está a preparar um documento detalhado, com base em dados do terreno e ocorrências registadas pela Proteção Civil, para remeter à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e aos ministérios da Administração Interna e da Economia e da Coesão Territorial, no sentido de fundamentar a integração de Oliveira do Hospital numa eventual adenda à resolução do Conselho de Ministros.

“O que pedimos é justiça para o território e para os lesados do concelho”, afirmou, sublinhando que o Município reconhece e respeita as prioridades em zonas mais devastadas, como a região de Leiria e vários concelhos do litoral da região de Coimbra. “Somos solidários com esses territórios, mas isso não pode significar ignorar os prejuízos reais que também existiram em Oliveira do Hospital”, sublinhou.

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