Iguarias e animação foram prato forte do certame.
Em Meruge cumpriu-se a tradição em mais uma Feira do Porco e Enchido. Largas centenas de visitantes passaram, este domingo, por aquela que é uma das maiores mostras do mundo rural da região, que teve como epicentro a Lage Grande, em pleno coração da aldeia.
O evento, que já é um marco importante no calendário de festas do concelho, apresentou-se uma vez mais com um extenso e animado programa, mantendo como “prato forte” a componente gastronómica, que esteve à disposição dos visitantes das mais variadas formas. Das habituais barraquinhas de venda de produtos locais, o receito da feira ofereceu ainda os mais típicos sabores e aromas da freguesia desde os torresmos à moda de Meruge, a feijoada de Nogueirinha e o famoso arroz de suã – uma iguaria que já é uma “marca” desta feira e que é única no país.
Em terra de porqueiros, os enchidos confecionados ainda de modo artesanal, foram também um dos grandes atrativos do certame e uma oportunidade de negócio para os produtores participantes. “A maior parte dos expositores ficaram satisfeitos, e quando assim é, nós também ficamos satisfeitos, porque queremos que as coisas corram bem”, afirmou o presidente da Junta, Aníbal Correia, em jeito de balanço de mais uma edição da feira.
O autarca que ambiciona ter “mais e mais visitantes” em próximas edições, considera, todavia, que o certame atingiu uma dimensão que deixa a organização “realizada”, lembrando aliás que isso “é reconhecido por todos”. “Vamos continuar a trabalhar e não vamos amolecer para manter este evento como uma marca do concelho e da região”, garante, dando como bem empregue o “investimento” feito nesta feira, que é uma das características e genuínas da região envolvente.
Investimento público que ajudou, segundo o presidente da Junta de Freguesia, a relançar um negócio que se tinha “esfumado” na freguesia, que assistiu nos últimos anos ao ressurgimento de algumas pequenas produções artesanais, a exemplo do que faz a própria Associação de Desenvolvimento local, que apostou na produção do fumeiro segundo os métodos mais ancestrais. Fieis à tradição, os enchidos de Meruge não receiam por isso os alertas da Organização Mundial de Saúde sobre o risco do consumo de carnes processadas. “Acho que isso são «fait divers» porque toda a vida se comeu enchido e se calhar antigamente até se comia mais, e nunca ninguém morreu por causa disso” considera o autarca, que desvaloriza as últimas notícias vindas a público acreditando mesmo que não irão prejudicar o “negócio”.













